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Comportamento

Carreira

Será que sou a bola da vez?

01 jan, 2016

por Roberto Santos  

Não, não se trata de um manual do jogo de sinuca ou bilhar nas empresas. Porém, muitas vezes como profissionais, nos colocamos em uma “sinuca de bico”, e viramos a bola da vez nos planos macabros de redução de quadro das empresas. E daí as perguntas: “Por que eu?”, ou “Mas por que meu chefe nunca me falou nada sobre meu desempenho?”

Nesses dias de crises financeiras globais, a sombra dos “cortes de pessoal” é inevitável. As reestruturações dos quadros das empresas muitas vezes se baseiam em planos macabros, dramáticos e, às vezes, resvalam na comédia se não tivessem consequências trágicas para muitos.

Quando a primeira saída utilizada pela empresa é a redução de pessoal, ou seja, abrir a torneira de seu “mais valioso patrimônio”, deixar esvair seu capital intelectual, ela pode se transformar em um círculo vicioso, uma tremenda comédia de pastelão. Aí, pouco tempo depois, é preciso contratar, a um preço muito mais alto, as mesmas competências no mercado, e ainda por cima, integrá-las a seus sistemas e sua cultura.

Muitas vezes, entretanto, não há outro remédio senão a demissão, ou a sangria, como antigos curandeiros recomendavam, para preservar a vida do paciente. Dentro desse cenário inevitável, seus habitantes se perguntam em seu sono maldormido: “Será que eu sou a bola da vez?” Normalmente, algumas pistas nos levariam a estarmos mais preparados para o acontecimento derradeiro. Infelizmente, às vezes não estamos preparados para enxergar ou escutar, seja porque estamos muito concentrados em nosso trabalho, seja porque nossa arrogância e excessiva autoconfiança nos incapacitam temporariamente, até que se torne tarde demais.

Essas vozes no ar, podem ter significados diferentes, dependendo do nível do cargo da pessoa em questão, mas de uma maneira geral, alguns sinais são frequentes e simples de serem descobertos, basta fazer a si mesmo algumas perguntas:

1ª) Tenho recebido algum feedback sobre o meu trabalho?

Às vezes, nenhum feedback pode ser até pior do que um feedback negativo, cercado de alguns positivos. Se for este o caso, peça. Você tem direito a um retorno – de reconhecimento ou de redirecionamento -- sobre seu desempenho e com isso demonstra interesse na opinião do superior pelos resultados de seu trabalho, o que é sempre positivo. Mas cuidado para não ficar se defendendo dos feedbacks de redirecionamento! Procure esclarecimentos com exemplos, agradeça e se comprometa a agir de forma diferente, pedindo uma nova “audiência” depois de uns três meses.

2ª) Minha frequência em encontros importantes, reuniões, almoços e momentos de decisão tem sido diminuída?

Esse é um sinal amarelo que está quase vermelho, e você precisa descobrir a causa. Fazer uma autoavaliação de seu comportamento e, de preferência, humildemente, pedir um feedback àquele que em algum momento lhe foi mais próximo, podem ser boas fórmulas de não levar uma trombada no cruzamento das reestruturações. Demonstre interesse pelo que está acontecendo, ofereça-se a participar de projetos e reuniões para saber se está sendo esquecido, preterido ou simplesmente abandonado na geladeira.

3ª) Vivo tendo conflitos com o meu chefe?

Conflitos são naturais nas empresas. Não devem ser evitados. Entretanto, é preciso tomar cuidado e evitar que resvalem para o nível emocional que pode deixar marcas e levar a uma situação em que a Razão vai para o espaço. Nesses casos, é preferível baixar o orgulho logo que a poeira assentar e limpar os restos, antes que seja tarde demais. Dar o primeiro passo para buscar entender a causa do conflito e propor novas bases de relacionamento seria o mais sensato e saudável para sua carreira.

4ª) Será que sempre acato as ordens superiores, quase que cegamente, pensando que isso pode evitar a demissão?

Não há resposta única para esta questão. O limite são seus valores pessoais. Todos temos responsabilidades, entretanto, temos também nossos valores pessoais, forjados ao longo de nossa educação. Uma vez que cedemos nesses valores mais sagrados, podemos nos tornar a “bola da vez” de nossa consciência e a partida poderá estar perdida mais cedo ou mais tarde. O melhor é procurar outra empresa onde se jogue limpo.

Em todas as situações, é possível recorrer a um último recurso: a “política de portas abertas", isto é, a possibilidade de procurar um escalão superior, quando alguma situação de conflito não se resolve. Apesar de parecer um recurso extremo, deve-se recorrer a ele, pois há chefes que filtram não só as informações desnecessárias ao nível acima, mas também aquelas que não lhes convêm. E como se diz popularmente: “perdido por um... perdido por muitos”. Abrindo o jogo com transparência, você poderá até evitar ir para a caçapa prematuramente.

 


Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br

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