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Atividade física é importante fator para diminuição do risco de AVC

01 jan, 2016

por Ricardo Arida

26 de abril é o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial.

O acidente vascular cerebral (AVC), ou acidente vascular encefálico (AVE), é caracterizado pela interrupção da irrigação sanguínea das estruturas do encéfalo. Ou seja, ocorre quando o sangue que sustenta o cérebro com oxigênio e glicose deixa de atingir a região, ocasionando a perda da funcionalidade dos neurônios.

É uma doença de início súbito, que pode ocorrer por dois motivos: isquemia ou hemorragia.

O primeiro tipo, e o mais comum deles, é devido à falta de irrigação sanguínea num determinado território cerebral, causando morte de tecido cerebral - é o AVC isquêmico. O AVC hemorrágico é menos comum, mas não menos grave, e ocorre pela ruptura de um vaso sangüíneo intracraniano, afetando determinada função cerebral.

Existem muitas evidencias mostrando que o exercício físico regular reduz o risco de doenças cardiovasculares. Entretanto, o efeito protetor do exercício físico no acidente vascular cerebral (AVC) é menos claro e os resultados são inconsistentes. Vários estudos têm encontrado uma relação inversa entre atividade física e risco de AVC (Wannamethee e Shaper, 1992; Hu e col., 2000).

Análise de 23 estudos

Em 1999, Wannamethee e Shaper publicaram uma revisão de vários estudos verificando a relação entre atividade física e AVC. Observaram que o exercício físico estava associado com uma redução do risco de AVC e que a atividade física moderada pode permitir uma redução significante desse risco. Confirmando esses resultados, uma análise de 23 estudos indicou que um nível elevado de atividade física estava associado a uma redução do risco de AVC hemorrágico e isquêmico (Lee e col., 2003).

Efeito protetor da atividade física: benefícios

O efeito protetor da atividade física pode parcialmente mediar esses efeitos através de outros fatores de risco do AVC. A atividade física tem um efeito favorável na redução da pressão arterial, perfil lipídico, sensibilidade à insulina, peso corporal, coagulação sanguínea e fibrinólise (Hu e col., 2002). A intervenção do exercício físico pode ser realizada na fase aguda, subaguda e crônica do AVC e inclui atividades aeróbias, exercícios de força, alterações dos hábitos de vida ou outras estratégias.

Um outro aspecto importante do emprego da atividade física após o AVC é a melhora da qualidade de vida desses pacientes. O efeito do exercício na qualidade de vida é muito menos claro que seu efeito no treinamento físico. A avaliação dos benefícios de um programa de exercícios físicos para pessoas que tiveram AVC com tempo superior a seis meses mostrou que, além dos significantes benefícios nas limitações funcionais como resistência, equilíbrio e mobilidade, foi observada também uma melhora na qualidade de vida nos meses iniciais da reabilitação (Duncan e col., 2003).

Em conclusão, os resultados dos diferentes estudos evidenciam que a atividade física é um importante fator para diminuição do risco do AVC. O efeito protetor da atividade física na incidência do AVC precisa de maior destaque na prevenção desse importante problema de saúde pública.

Referências:

Wannamethee G, Shaper AG. Physical activity and stroke in British middle aged men. BMJ 1992; 304: 597–601.

Wannamethee SG, Shaper AG. Physical activity and the prevention of stroke. J Cardiovasc Risk 1999; 6:213–16.

Hu FB, Stampfer MJ, Colditz GA, Ascherio A, Rexrode KM, Willett WC, Manson JE. Physical activity and risk of stroke in women. J Am Med Assoc. 2000; 283: 2961–2967.

Lee CD, Folsom AR, Blair SN. Physical activity and stroke risk: a meta-analysis. Stroke. 2003; 34: 2475–2481.

Hu G, Pekkarinen H, Hanninen O, Yu Z, Guo Z, Tian H. Commuting, leisure-time physical activity, and cardiovascular risk factors in China. Med Sci Sports Exercise. 2002; 34: 234–238.

Duncan P, Studenski S, Richards L Gollub S, Lai SM, Reker D, Perera S, Yates J, Koch V, Rigler S, Johnson D. Randomized clinical trial of therapeutic exercise in subacute stroke. Stroke 2003; 34: 2173–2180.


Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com

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