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Dependo muito dos outros para tomar decisões. Como tornar-me mais confiante?

Não queremos perder nada e isso dificulta muito a decidir

por Silvia Maria de Carvalho

"Para escolher tenho muitas dúvidas e muito medo de arriscar. Só consigo seguir em frente com a opinião de alguém e me incomoda muito o que os outros pensam sobre mim; é muito ruim e me sinto muito mal. Como faço para ter mais confiança em mim mesma?"

Resposta: Temos que decidir o tempo todo. Desde se tomamos um guaraná ou uma Coca-Cola, até se casamos ou compramos uma bicicleta.

Decisões são cotidianas e exigem de nós, do nosso cérebro e do nosso coração.

Há quem fique paralisado diante de uma decisão que precisa ser tomada, há quem aja por impulso para se livrar do peso de decidir. Há também quem pense, pense, pense e aí decida. A decisão, por mais que seja algo pensado, sempre é uma flecha lançada! Não sabemos exatamente o futuro daquilo que optamos fazer nesse momento. É preciso viver pra ver!

Algo é certo: qualquer um de nós; pensando, não pensando, agindo ou esperando que as coisas tomem seu rumo por conta própria; erra de vez em quando e acerta de vez em quando: porque não agir também é uma opção e não escapamos de suas consequências. Mesmo que a gente queira fugir da responsabilidade, há nessa situação a decisão de não decidir.

Há maneiras mais fáceis e melhores de escolher um caminho e não outro?

Sim. Mas uma coisa temos que considerar: tomar uma decisão não é algo mágico que acontece dentro da gente. É apenas um nome dado a uma coisa que fazemos, ou seja, é um comportamento - como andar, comer ou dormir. O bom nessa história é que se não aprendemos a decidir bem até agora, podemos aprender e treinar ao longo da vida.

Acho importante ressaltar que, ao eleger uma coisa e não outra, algo será perdido em nome do que ganharemos. Se você come um bombom, não pode mais guardá-lo. Se você guarda, não consegue experimentar. Sempre haverá o preço. É preciso pagar. Não queremos perder nada e isso dificulta tremendamente a tomada de decisões. É como se pudéssemos ter tudo.

Outra coisa é o medo de errar. Já é bem dito que só perdemos o medo quando o enfrentamos. E aí podemos perceber que esse monstro nem era tão grande assim. Mas só sabemos disso depois. Então, por que não arriscar?

Além disso, podemos temer a crítica das pessoas com quem convivemos. E isso também paralisa. No final das contas, a gente é que sabe das nossas 'fomes' e necessidades. A crítica geralmente tem mais a ver com quem faz do que com quem a recebe. Muitas vezes o problema é do outro e não seu!

O passo-a-passo para poder decidir com mais segurança:

1.    Fazer uma lista de prós e contras ajuda você a visualizar a situação em que está e, de alguma forma, imaginar ganhos e perdas ao decidir por isso e não por aquilo.

2.    Suas chances de acertar ao decidir aumentam quando você busca o máximo de informações possíveis sobre aquilo que está pensando em fazer.

3.    Comece por coisas simples, que não causem prejuízos na sua vida. Por exemplo: você tem dez reais e não sabe se guarda ou compra um sanduíche. Qualquer escolha não te trará grandes perdas. E assim, você experimenta sentimentos que aparecem junto dessa tomada de decisão. Mais tarde, sem se dar conta, vai conseguir decidir por coisas mais importantes.

4.    Enfrente as críticas fazendo o que tem vontade e faz sentido na sua vida. É mais fácil começar por pessoas que não convive diariamente. Invente os próprios exercícios. O importante é você aguentar a cara feia de alguém, em nome do prazer de dizer a si mesma: fiz aquilo que acreditei ser o melhor. Ponto pra sua autoestima!

5.    Não espere que os outros te elogiem sempre. Faça isso por conta própria.

"O tempo é algo que não volta atrás, por isso plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores".
Shakespeare

Referência:
Falo? Ou não Falo? – Expressando Sentimentos e Comunicando Idéias - Ed. Mecenas – 2007
Cap. 5 “E agora José? Compra um carro ou anda a pé? – Tomando Decisões Roosevelt Starling


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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