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Autoconhecimento

Psicologia

Psicologia explica diferença entre mal do humor e mau humor

01 jan, 2016

por Thaís Petroff

"Quando o mau humor é crônico e constante ele é considerado um distúrbio emocional conhecido como distimia definido inclusive no CID 10 - Classificação Internacional de Doenças da OMS"

Parece estranho procurar um psiquiatra ou psicólogo por causa do mau humor. Saiba que isso não é nenhum absurdo, pois dentre os critérios para avaliar a presença de um transtorno psicológico e dos sofrimentos advindos do mesmo encontra-se o transtorno do mau humor.

Para compreender melhor essa explicação, é preciso considerar os seguintes conceitos: que o mau humor é um dos sintomas do mal do humor, sendo que mau com “U” é uma qualidade contrária ao bom humor e, mal com “L” uma doença, caracterizada por um estado permanentemente contrário ao humor sadio.

Mal (com “L”) do humor significa distimia

Desse modo, pessoas que vivem “azedas”, reclamam de tudo, estão sempre como se tivessem uma nuvenzinha preta em cima da cabeça ou ainda que se irritam por pouco podem não ser simplesmente “chatas”, mas sim apresentar um distúrbio emocional: a distimia.

A distimia se apresenta como uma depressão, com sintomas de intensidade leve, se inicia em idade jovem (classifica-se como precoce se ocorreu antes dos 21 ou tardia se ocorreu com essa idade ou mais) e traz sofrimento e/ou prejuízos significativos para a pessoa, assim como para seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Trata-se de um estado depressivo crônico demonstrado através do mau humor, desânimo, chatice, irritabilidade, birra, implicância, estar de mal com a vida, etc.

A definição para distimia fornecida pelo CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é:

“Rebaixamento crônico do humor, persistindo ao menos por vários anos, mas cuja gravidade não é suficiente ou na qual os episódios individuais são muito curtos para responder aos critérios de transtorno depressivo recorrente grave, moderado ou leve”.

Em outras palavras, diferenciando a distimia da depressão mais severa, a segunda apresenta episódios mais marcantes sendo mais fácil diferenciá-los do funcionamento habitual do indivíduo, já a distimia é caracterizada por sintomas depressivos crônicos, de menor severidade e intensidade e que são mantidos por muitos anos.

Os principais critérios diagnósticos propostos pelo DSMIV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta revisão) para o Transtorno Distímico são:

1. Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato subjetivo ou observação feita por outros, por pelo menos dois anos.

2. Presença, enquanto deprimido, de duas (ou mais) das seguintes características:

• apetite diminuído ou apetite em excesso
• insônia ou hipersônia
• baixa energia ou fadiga
• baixa autoestima
• fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões
• sentimentos de desesperança

3. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Além desses sintomas descritos pelos manuais de saúde, estudos demonstram que pessoas com distimia podem apresentar outras características psicológicas, que definem como elas se veem (autoconceito) assim como o modo pelo qual percebem o mundo à sua volta e as ouras pessoas.

É frequente a perda generalizada do interesse ou prazer pelas coisas, consequentemente a diminuição da atividade, efetividade ou produtividade (também em função da fadiga), sentimentos de culpa ou preocupação acerca do passado.

O sentimento de inadequação e desconforto é muito comum e, o retraimento ou isolamento social manifesto por querer ficar só em casa, sem receber visitas, sair ou atender ao telefone é relatado nas piores fases.

Esses pacientes reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social (ou seja, percebem suas atitudes disfuncionais), mas não conseguem controlar. As sensações subjetivas de irritabilidade, raiva excessiva ou impaciência são sintomas frequentes e incomodam ao próprio paciente.

Há também uma distorção na autocrítica, fazendo frequentemente com que essas pessoas vejam a si mesmas como desinteressantes ou incapazes. Como esses sintomas tornaram-se uma parte tão presente na experiência cotidiana do indivíduo (em função da grande durabilidade), fica difícil para eles distinguir essa perturbação do humor e é comum o relato de: “Sempre fui dessa maneira”, “Sou assim mesmo” o que impede a procura de tratamento.

É preciso estar atento para que certas características e hábitos disfuncionais não sejam esquecidos, relevados ou afogados pela correria do dia a dia, impedindo que seja procurado ajuda ou ainda que haja sofrimento sem necessidade de tal.

 


Formada em Psicologia pela PUC-SP e é Master Coach. Utiliza a Terapia Cognitivo Comportamental como base do seu trabalho, mas sabendo da profundidade e complexidade do ser humano, fez formação em Bioenergética, Programação Neurolinguística e Yoga se focando em auxiliar as pessoas a desenvolver e manter emoções mais equilibradas e saudáveis. Foca-se em desvendar e compreender a desafiadora prática das relações, promover transformações cognitivas, emocionais e comportamentais nas pessoas que a procuram e disseminar conhecimento através das mídias sociais. http://www.thaispetroff.com.br

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