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Morte de um ente muito querido pode causar transtorno mental?

01 jan, 2016

 por Joel Rennó Jr.

 

"Há muitos sentimentos e mudanças comportamentais diferentes envolvendo os diversos estágios do luto como depressão, raiva, insônia, ansiedade, apatia, passividade, isolamento e agitação psicomotora"

Resposta: Na realidade, o luto é um sentimento existencial humano absolutamente normal e universal, perante situações de perdas como, por exemplo, a morte de entes queridos.

Há diversos estágios do luto como entorpecimento (choque, descrença e negação da perda que pode levar horas ou até dias para curar e que pode ser acompanhado depois por reação de defesa), anseio e busca (a pessoa fica inquieta, descrente, com crises de raiva e que pode durar meses ou anos), desorganização e desespero (reconhecimento de que a perda é irreversível, ocorrendo depressão e isolamento social), até o estágio final de recuperação e restituição.

Portanto, há muitos sentimentos e mudanças comportamentais diferentes envolvendo os diversos estágios do luto como depressão, raiva, insônia, ansiedade, apatia, passividade, isolamento e agitação psicomotora.

Quando a dor psíquica e a tristeza do luto invadem completamente a vida da pessoa por mais de seis meses com prejuízos sociais, familiares e até profissionais, além da persistência de sintomas como tristeza, desânimo, perda do prazer ou interesse por atividades habituais, ansiedade, irritabilidade, pensamentos negativos (morte, culpa, ruina), alterações do sono, apetite e concentração, a indicação é procurar uma ajuda médica psiquiátrica para avaliação da resolução do luto que pode ser patológica e até desencadear algum transtorno mental. A psicoterapia pode ser eficaz também na resolução dos conflitos psíquicos gerados pelo luto.

Quando o luto é persistente e patológico, alguns transtornos mentais podem ocorrer como os transtornos de ansiedade, humor, alcoolismo, entre outros.

É bom deixar claro que o luto em si não causa transtornos mentais. O que ocorre é que, em um subgrupo de pessoas vulneráveis (fatores de personalidade e até genéticos têm sido estudados sem uma conclusão definitiva), o impacto do luto pode ser um grande estressor psicossocial mantido e desencadear transtornos mentais. Portanto, o luto seria um "gatilho" para os transtornos mentais.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.



Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br

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