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Comportamento

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Três passos para uma vida mais feliz

01 jan, 2016

por Patricia Gebrim

"O medo nos faz menores do que podemos ser."

Uma gripe me obrigou a desmarcar as consultas e passar a manhã em casa. No silêncio matinal, exceto pelos miados do meu gato excitado por minha inusitada companhia, me pus a pensar no que realmente tem valor nesta vida.

Para chegar ao essencial, fechei os olhos e tentei sentir quais foram os momentos mais significativos de minha vida.

Cheguei a três situações especiais, que compartilho com vocês.

A primeira situação que me ocorreu foram alguns momentos de vida em que eu estava expressando o que considero ser a minha alma: Ajudar alguém que estava em dificuldade, o lançamento de um livro, velejar numa rajada forte de vento... Ao me lembrar desses momentos, tive certeza absoluta de que estamos aqui por um motivo lindo e especial. Cada um de nós tem um presente a ofertar a este planeta. Sem exceções. Sendo assim, é fundamental que expressemos quem de verdade somos.

Precisamos ter a coragem de ir além da superfície e trazer à tona o nosso verdadeiro ser. Todos nós, sem exceção, temos algo de luminoso e precioso para compartilhar e estamos aqui para tornar este lugar um pouco melhor. Cabe a cada um de nós revelarmos o divino que nos habita. Ao fazê-lo, permitimos que a beleza flua através de nós, deixando em cada uma de nossas células um rastro de gratidão que ilumina nossas vidas e aquece nosso coração.

A segunda situação que me ocorreu, foram momentos em que eu estava vivendo uma troca amorosa, seja com a família, amigos, parceiros afetivos, ou até mesmo com um animal, uma montanha, uma flor... Ouçam: o amor é a essência do nosso Ser. Não existe nada mais poderoso do que a possibilidade sentirmos amor.


Amar o outro requer um estado de vulnerabilidade


E eu digo a todos, amem. Precisamos ter a coragem de amar. O amor nos espera para além dos portões do medo. O medo nos faz menores do que podemos ser. Não há como amar sem que exista uma entrega, sem que baixemos as armas, as defesas, as estratégias de controle. Para amar é preciso correr o risco de permitir-se ficar em frente ao outro num estado de total vulnerabilidade. Somente alguém muito corajoso é capaz de algo assim. E ainda assim, independente da reação do outro, o simples fato de permitirmos que a energia amorosa nos preencha faz com que nada nos falte, nunca. E isso é algo que apenas os corajosos saberão. O amor, em sua plena vulnerabilidade, é o lugar mais seguro deste universo.

E, finalmente, a terceira situação que me ocorreu foram momentos em que eu me sentia conectada a algo maior, conectada a essa energia linda que abraça a tudo o que existe. A sensação era de plena presença. Ouçam o que lhes digo. Olhem para cima, busquem o espiritual. Você não precisa de nenhuma religião para fazer isso. Você pode encontrar essa energia luminosa observando a natureza, sentindo a delicadeza das pétalas de uma flor, olhando para o céu, acompanhando as brincadeiras de um filhotinho de animal. Tudo está vivo, o tempo todo. Quando nos conectamos com essa força maior que abraça a tudo, nos sentimos parte. Parte do vento, do mar, das montanhas, dos campos floridos, das estrelas. Nos tornamos um com tudo o que existe. Sentimos uma presença maior em nosso peito e instantaneamente sabemos que tudo está bem, e que tudo estará sempre bem, seja como for. Uma paz toma conta do nosso ser e nos sentimos em unidade com o todo da vida. E a vida pode ser maravilhosa quando nos sentimos assim, acreditem.

Assim, a partir dessa reflexão, penso que existe uma tríade sagrada que nos permite chegar mais perto dessa sensação de bem-estar e plenitude que todos buscamos. Eu resumiria assim:

- Ser quem verdadeiramente somos, amar e buscar a luz.

Quase sinto gratidão por ter sido colocada hoje numa situação em que tive que ficar em casa. Escrever tudo isso me trouxe uma paz curadora, que envio na direção de todos vocês.

 


É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento

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