imagem de capa

Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

Rever trajetória de vida melhora autoestima

por Elisandra Vilella G. Sé

 O processo de reflexão sobre a vida é uma avaliação, uma análise que o indivíduo faz sobre seu curso de vida, um exercício cognitivo ao rever suas experiências e atitudes na vida.

Com esse exercício de reflexividade sobre a trajetória de vida, atribuímos significados importantes para eventos vivenciados, uma experiência de uma fase da vida, algo subjetivo, uma ação importante, um presente, uma conquista, etc...

Toda nossa trajetória de vida é organizada baseada nos nossos propósitos e marcada pelos fatos sociais e *intersubjetivos das interações durante a vida. Toda nossa reflexividade se revela em decurso das próprias ações no mundo durante a vida. O exercício da reflexão sobre a vida é um processo consciente e organizado sobre as vivências.

A revisão de vida pode ser considerada como uma biografia de uma pessoa reconstruída retrospectivamente. Representa um conhecimento individual sobre a vida. Os relatos das vivências e experiências, no processo de revisão de vida, podem auxiliar as pessoas a lidarem e compreender melhor seus pensamentos, atitudes e sentimentos, resolução de problemas, reorganizar e reintegrar o que aborrece ou não a pessoa.

A revisão de vida acontece em diferentes momentos da vida. Três transições ocorreriam durante o ciclo da vida, suscitando a revisão de vida: início da idade adulta (17 a 22 anos); meia-idade (40 a 45 anos) e velhice (60 a 65 anos).

A transição da meia-idade é considerada por muitos autores como a fase mais propícia e provável para que uma pessoa inicie sua revisão de vida, por ser um período marcado por mudanças nas prioridades, nas escolhas, nas metas de vida, e em assuntos externos da própria vida.

A atividade de reflexividade da trajetória de vida é vista como um processo de compreensão da própria vida, e fazer um recuo para dentro de si e descobrir um significado para enfrentar as situações e desafios que ainda estão por vir. Esse processo é uma atividade valiosa durante a vida e natural do ser humano, no sentido de ser relevante na construção, manutenção e transformação do self, ou da identidade de uma pessoa.

Estudos e pesquisas sobre revisão de vida têm sido feitas no Brasil, sobretudo com pessoas idosas. Algumas experiências têm sido desenvolvidas, com resultados positivos e apontam para a necessidade de incrementar o esforço acadêmico para a produção de conhecimento sobre o assunto. Pessoas que realizam revisão de vida, participam de grupos terapêuticos ou oficinas que priorizam a interação social, a prática autobiográfica demonstram melhores resultados em desempenhos cognitivos, mostrando-se mais confiantes, mais esperançosos e melhoram a autoestima. Isso porque a autoestima é a percepção que a pessoa tem de si mesma. Essa revisão de vida auxilia na autoaceitação de habilidades, características e limitações. Isso ajuda a desenvolver melhor a autopercepção. Ou seja, estar mais satisfeito com a própria vida.

É importante ressaltar que ao fazer uma revisão de vida com um profissonal, esse deve ser especializado na área, com formação gerontológica, que tenha uma fundamentação técnica para que dê o suporte adequado e necessário ao paciente.

A revisão de vida em diferentes idades pode ser um exercício para encontrar o verdadeiro sentido da vida. A sabedoria de cada um está em saber encontrar esse sentido, o tesouro que cada um carrega dentro de si, um processo de eterna construção e elaboração da história de vida.

*Intersubjetivo: que ocorre entre ou envolve consciências individuais (Fonte: Dicionário Houaiss)

 


Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

O que você achou do novo Vya Estelar?