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Corpo em perfeito equilíbrio flutua entre o planeta e o céu

por Nicole Witek

Artistas de circo conseguem o equlíbrio perfeito Deparei-me com essa frase traduzida do inglês e achei que correspondia exatamente ao que sinto quando encontro meu ponto de equilíbrio: “Existe uma delícia inesperada quando se encontra a Terra e o céu ao mesmo tempo”.

Não me lembro mais onde ouvi ou li essa frase, porém acho importante aprofundar-me nesse tema. Aqui, trata-se da força da gravidade à qual se pode escapar quando o corpo está em equilíbrio perfeito. A maioria das pessoas não sabe ou ignora essa força que se aplica sobre tudo que existe no planeta. É importante lembrar que essa mesma força se aplica ao homem. Aprender a escapar dela demora mais ou menos um ano: seu primeiro ano de vida quando você passa (em geral) do engatinhar ao andar.

Se você fosse um quadrúpede seria simples. Você poderia dividir o peso da cabeça e do tronco nas duas patas anteriores e nas duas patas posteriores, e a coluna estaria suspensa entre o sacro e a nuca. Infelizmente, nós, seres humanos, despertamos o desejo de conquistar o nosso meio ambiente e com ele o impulso de elevar-nos, erguer-nos sobre as duas pernas, liberar nossas mãos, enxergar o mundo à nossa frente.

Nessa conquista de nossa humanidade, nossa coluna teve que se adaptar com curvas e corcundas. Essas cifoses (corcundas) das costas, do quadril, acopladas com as lordoses (cavas) da nuca, da cintura, geraram pontos fracos onde a força da gravidade pode se aplicar com mais violência.


Homem lutou contra a força da gravidade para sair do chão Gradativamente e ao longo dos anos, a força da gravidade amplia as corcundas e cava as cavas.

Temos muita admiração pelos artistas de circo que são capazes de equilíbrios maravilhosos. O que esquecemos é que ficar na linha de equilíbrio, onde todas as forças se aniquilam, não deveria custar nada em termos de energia, com tanto que fiquemos no nosso prumo.

Quando fazemos essa transposição, quando resolvemos pensar na linha vertical do equilíbrio para o corpo, deveríamos, ficando em pé, estar como um artista de circo: no ponto zero onde o corpo está flutuando entre o planeta e o céu.

A filosofia e a medicina chinesa posicionam o cidadão nessa situação, sem se questionar: quase dois bilhões de habitantes desse continente integram esse conceito desde o nascimento e se esforçam até a morte, para ativar as forças do céu e da Terra. E enquanto os chineses são educados com essa consciência de serem o elo entre o céu e a Terra e de serem condutores da energia yin e yang, nós do ocidente batalhamos com nosso corpo visitando todos os especialistas para aliviar nossas dores, decorrentes dessa submissão passiva à força da gravidade.

Quais são as dores das quais estou falando?

- Dores esqueléticomusculares;

- Dores articulares, principalmente na região lombar e/ou do pescoço;

- Problemas de visão. Alteração da capacidade visual, pois o corpo precisa alinhar o olhar com o horizonte, assim que saímos do prumo, para saber como se organizar no espaço;

- Problemas nos órgãos internos: como se encaixam os intestinos quando não podem se alojar mais na cavidade abdominal?

- Como o diafragma pode cumprir seu papel de pistão quando não sabe mais onde está a vertical?

- Como funciona a bexiga, sem falar do complexo urogenital?

- Como o corpo consegue a sinergia quando não sente mais o eixo da verticalidade? 

Ser consciente dessas forças deveria, na minha opinião, fazer parte de nossa educação desde a infância. Entender as forças que exercem sobre o planeta e as quais estamos submetidos deveria ser uma prioridade. Deveríamos ter integrado informações como a importância do ensolaramento para nossos processos fisiológicos, a importância da nossa conexão a um universo que ultrapassa nosso pequeno tamanho, aprender a escutar e a sentir as forças com as quais o ser humano se desenvolveu sobre o planeta e com o planeta.

Não basta saber que existe simbiose entre as florestas, as árvores, as folhagens e entre nós. Não basta sentir que férias à beira-mar fazem bem para nossa saúde...  Somos seres de troca de oxigênio da mesma forma que plantas e flores, somos também altamente dependentes da força da gravidade para a solidez do nosso esqueleto, para o funcionamento de nossos órgãos. Tomando o risco de repetir o que escrevi nesta coluna há anos, por favor, impulsione seu corpo para cima, erga-se como ser espiritual acima de sua pequeneza animal, que seus olhos estejam na linha do horizonte e seu espírito se torne em direção à elevação, tanto do ponto de vista psíquico como do ponto de vista físico.

Preparei para você uma pequena sequência de conscientização:

- Em pé, deixando um pouco de espaço entre seus pés, sinta o arco do pé dinâmico, elástico. A partir do arco do pé construa a arquitetura da sua estática: você é o templo do seu ser, feito catedral, ergue suas pernas como dois pilares onde as forças se equilibram de cada lado da perna.

- Deixando sua atenção percorrer as coxas, imagine os grandes músculos da coxa que se estendem da região dos joelhos até o quadril;

- Sinta não só a horizontalidade da bacia com relação à linha da Terra, mas também no seu eixo frente/trás, deixando as virilhas compridas e abertas com os glúteos ativos;

- Imagine o sacro e sua coluna se erguendo em direção ao céu, imagine a curva da cintura, flexível, num “S” impulsionado para o espaço entre as escápulas;

- Imagine a linha dos ombros, lindamente colocada e permitindo que o pescoço tenha impulso para cima sustentando o peso da sua cabeça;

- A partir desse momento, sinta ou imagine a energia da Terra que está subindo como a seiva da árvore, sinta a energia do céu que desce do topo da cabeça até os pés;

- E balance suavemente como um bambu de frente para trás, sentindo o momento em que:

- a musculatura posterior trava para impedir que seu corpo, submetido à força da gravidade caia para frente ao sair da linha de gravidade e do equilíbrio perfeito;
- a musculatura anterior trava para impedir que seu corpo caia para trás;
- a força agregada de todos os músculos profundos do seu corpo atua para que você escape da queda;
- seja consciente que cada vez que você sai da linha de gravidade, pelo jogo de comunicações de cada parte do corpo com o “dentro” e o “fora”, você coloca seu ser em perigo.

Para aperfeiçoar sua estática, não conheço postura melhor que a meia-ponte: ardha-setu bandhasana, para na profundidade do corpo estabelecer novamente as linhas de equilíbrio entre a Terra e o céu.


Meia-ponte: ardha-setu bandhasana

Preparação: alinhe seu corpo corretamente com a consciência de todos os eixos, num alinhamento perfeito das pernas, braços, coluna vertebral e coluna cervical.

Sem pressa, respirando o tempo todo, eleve a bacia e permaneça em respiração profunda apoiando sobre a nuca alongada (queixo em direção ao peito) e os ombros, os braços e as palmas das mãos, e na outra extremidade, sobre os pés onde os dedos estarão perfeitamente alongados, o arco elástico permitirá um alinhamento perfeito do joelho com o quadril.

Permaneça o máximo possível sentindo a respiração lenta e profunda, imaginando a perfeição dos eixos.

E na descida é a fase dinâmica: levando toda a sua atenção para cada vértebra que encosta no chão, respirando o tempo todo, perceba o jogo de músculos ao redor de cada vértebra, a sua adaptação para que a coluna retorne em contato total com o chão, apagando as tensões das longas permanências em pé ou sentada. Seja consciente de afundar as costelas gradativamente para que a caixa torácica se torne macia e permita um posicionamento melhor da cintura pélvica e da cintura escapular.

Sua concentração na altura da cintura, afunde em direção ao chão, permita que os músculos internos que ligam a cintura a coxa sejam alongados para que a bacia retorne ao chão depois da cintura.

Finalmente deixe o chão acolher a bacia. Sinta a sucessão de todas as vértebras da sua coluna em contato com o chão, fique com o corpo imóvel e sinta como a respiração se aplica sobre os espaços entre as vértebras.

Finalmente alongue as pernas no chão, uma depois da outra. Sinta que agora seu corpo está como uma forma repleta de líquido (75%!) onde a força da gravidade pode se aplicar na horizontal, continuando a liberar os espaços entre as vértebras, dissolvendo as tensões devidas a sua atitude corporal quando está em pé ou sentado. Que esse líquido dentro do corpo se espalha como ao nível da água.

Com o estado de relaxamento gostoso no qual você está agora, seu corpo terá todas as condições para harmonizar perfeitamente todas as redes de circulação: da circulação sanguínea até a circulação de todas as informações, em todos os níveis: físicos como psíquicos.

Voltando para a posição em pé, sinta que “THERE IS AN UNEXPECTED DELIGHT IN MEETING EARTH AND SKY AT THE SAME MOMENT (GRAVITY)”

Por favor, sinta esse momento maravilhoso onde seu corpo, sem fadiga, sem se cansar, sem tensionar é capaz de ser o elo entre o planeta e o céu.

Para mais informações: http://www.bouddhismes.net/node/186 http://www.yoga-training-you.com/yoga-basic-positions.html populacão da China no minuto: 1 375 000 000 habitantes.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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