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Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

Medicamentos para se livrar do álcool podem fazer algum mal?

Alcoolismo é uma doença crônica e exige tratamento longo e multifacetado

20 abr, 2017

por Danilo Baltieri

Resposta: O tratamento das dependências químicas é bastante complexo, envolvendo tanto o manejo farmacológico quanto o psicossocial. Isso se deve às também multifacetadas modificações do funcionamento químico cerebral devido ao consumo prolongado e/ou excessivo das substâncias psicoativas.

O tratamento farmacológico do alcoolismo é uma das ferramentas disponíveis para o manejo dessa condição médica. Outras formas de abordagem são: tratamento psicoterapêutico, tratamento em regime de internação, grupos de mútua ajuda (tipo Alcoólicos Anônimos), tratamento em regime ambulatorial, terapia familiar.

Quando se refere ao tratamento farmacológico da chamada síndrome de dependência de álcool, até o presente momento, temos apenas quatro medicações comprovadamente eficazes para a doença: Naltrexone, Naltrexone Depósito, Acamprosato e Dissulfiram. Existem várias outras medicações sob intenso estudo e que, às vezes, são utilizadas na forma *off label, tais como: Topiramato, Ondansetrona, Baclofeno, Acetil-cisteína etc.

Cada uma dessas medicações tem indicações específicas bem como contraindicações. Isso significa que, como a população daqueles que padece da doença é bastante heterogênea, uma única medicação aprovada pode não ser útil para todos os doentes. Existe a necessidade da rigorosa avaliação da história clínica do portador da síndrome de dependência de álcool e exames laboratoriais, antes da prescrição medicamentosa.

A combinação de mais de uma forma de abordagem (por exemplo, tratamento farmacológico mais psicoterapia específica) tende a conferir maior sucesso terapêutico, objetivando a abstinência total do álcool.

É verdade que o mercado para medicações para tratar o alcoolismo é enorme. Mais do que 9% da população brasileira sofre com problemas com o consumo de bebidas alcoólicas. Basta fazer as contas, a partir da população total do país, para conhecer o montante da demanda. Esta alta taxa de prevalência de problemas com o consumo de bebidas alcoólicas não apenas ocorre no Brasil, mas também em vários outros países do Ocidente.

Apesar desta alta prevalência da doença ao redor do mundo, pesquisas são necessárias para avaliar a eficácia e a segurança das medicações sugeridas para uso nessa população, antes da disponibilização das mesmas. Como o alcoolismo é uma doença crônica, o tratamento deve ser prolongado e multifacetado.

Boa sorte!

* O termo em inglês off label, sem tradução literal para o português, ilustra o medicamento utilizado de forma diferente daquela descrita na bula.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracteriza como sendo um atendimento.


Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.


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