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Comportamento

Relacionamentos

Qualidade de vida está relacionada à capacidade de nos organizarmos

Conforto material pleno não é sinônimo de qualidade de vida

por Antônio Carlos Amador

Antigamente os interesses de todos eram dirigidos prioritariamente para conseguir alcançar o conforto e o progresso material. Melhorar na vida praticamente significava progresso. Porém, nas últimas décadas cada vez mais pessoas começaram a dar-se conta que muitos sacrifícios não tinham sentido, uma vez que viam deteriorar-se sua qualidade de vida.

De um ponto de vista psicológico, a qualidade de vida é o grau com que uma pessoa obtém satisfação na vida. Para uma boa qualidade de vida são importantes o bem-estar emocional, material e físico; o envolvimento em relações interpessoais; as oportunidades para o desenvolvimento pessoal; o exercício de seus direitos e a capacidade de fazer escolhas de vida e participar na sociedade.

A qualidade de vida inclui também muitos fatores interdependentes: o conforto, as disponibilidades materiais, o tempo de trabalho, de lazer, o tempo para dedicar a nossos familiares, filhos, amigos, o desfrute da natureza, da cultura, da assistência sanitária etc.

Muitas pessoas geram recursos econômicos importantes, mas carecem de tempo para desfrutar dos benefícios que lhes poderia propiciar a boa utilização de tais recursos. Elas passam a vida acumulando bens materiais ou cargos de poder, mas não tem tempo para si mesmas, nem para interagir ou se dedicar a outras pessoas ou ainda para realizar atividades verdadeiramente satisfatórias. Dizemos então que essas pessoas têm uma qualidade de vida escassa, apesar de terem condições de viver em conforto material pleno.

Portanto, a qualidade de vida constitui um ponto de equilíbrio entre o tempo e o esforço que dedicamos a uma atividade e os benefícios que vamos poder obter mediante o exercício da mesma. Qualquer excesso no que se refere a algum dos fatores citados anteriormente leva a um desequilíbrio que deteriorará antes ou depois nossa qualidade de vida por falta de meios econômicos, excesso de trabalho, estresse, falta ou excesso de tempo livre, falta de contato com a natureza, perda excessiva de tempo causada pelo transporte etc. Conseguir uma qualidade adequada de vida implica uma certa capacidade para organizar-nos, valorizando friamente o que realmente desejamos; o que nos é de fato imprescindível e descartando as coisas que realmente não necessitamos para nada.

Como consequência do que dissemos está também o equilíbrio que estabelecemos entre cuidar de nós mesmos e cuidar dos outros. O altruísmo e o comportamento não egoísta de nossa parte redundam em nosso próprio benefício, recompensando-nos de maneiras que não ficam necessariamente evidentes de imediato. Quando aumentamos nossa ligação com o ambiente em que vivemos, nossa sensação de que pertencemos a algum lugar passa a ser mais forte, evitando o isolamento e a solidão.


É psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes e adultos. Professor no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento da PUC-SP desde 1974, onde ministra disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de adolescentes, ao desenvolvimento interpessoal, à psicologia comunitária e da saúde. Atua em consultório particular como psicoterapeuta e hipnoterapeuta, atendendo a adolescentes e adultos.

event 25 set, 2018

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