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Entenda de uma vez por todas a teoria do fluir: flow-feeling - parte I

Renato Miranda 13/12/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Entenda de uma vez por todas a teoria do fluir: flow-feeling - parte I
Fonte: imagem Pixabay
A teoria do flow-feeling foi desenvolvida pelo professor de psicologia e educação da universidade de Chicago, chamado Mihaly Csikszentmihalyi

Por Renato Miranda

Alguns leitores e alunos me perguntam sobre a teoria denominada Flow-feeling, visto que frequentemente em meus textos eu cito particularidades e assumo como exemplo em vários textos, principalmente aqueles que eu trato sobre concentração, ansiedade e (motivação!), além de outros temas associados ao desempenho humano.
Por necessidade, facilidade de uma consulta rápida, ou mera curiosidade, um aluno me pediu que escrevesse um texto com um breve resumo sobre a teoria. Embora não seja uma tarefa fácil, escrevo (em duas partes!) algumas linhas que de longe têm a pretensão de resumir a teoria Flow-feeling.

Para facilitar a compreensão dessa importante teoria, utilizo citações diretas e condensadas – sem o rigor acadêmico de suas regras específicas, mas com rigor de conteúdo - das ideias preconizadas pelo próprio autor, outras advindas de minha tese de doutorado, artigos científicos e partes de livros escritos. Assim, espero atender ao menos, em parte, tal curiosidade.

A teoria denominada Flow-feeling foi desenvolvida pelo professor de psicologia e educação da universidade de Chicago, chamado Mihaly Csikszentmihalyi. A teoria foi desenvolvida de maneira progressiva a partir da década de 70 e seus estudos começaram a ter repercussão principalmente a partir dos anos 90.

Flow-feeling, em uma tradução livre significa um sentimento ou percepção de fluxo. Por isso, no início de sua propagação em língua portuguesa também era denominado como teoria do fluir, fluidez, fluxo ou experiência máxima, no entanto, como em outros países, com o passar do tempo, a denominação original em inglês se consagrou e é a mais utilizada mesmo nos textos em português. Muito embora, esses termos também sejam utilizados no desenvolvimento de textos (como este!) e outros registros acadêmicos, como artigos científicos e livros.

Esta teoria nos auxilia a entender melhor o porquê de pessoas realizarem certas tarefas com o máximo desempenho e em alto grau de motivação. Permite, por exemplo, detectar indícios importantes como determinados atletas mantêm um alto nível de motivação em uma jornada altamente desgastante, tensa e por vezes arriscada, ao mesmo tempo em que para muitas pessoas não há sentido algum na mesma.
    
 A característica dinâmica da experiência do fluir que se processa em um patamar de envolvimento e complexidade só possível em alto grau de motivação se identifica como transformador do self  e naturalmente como um significativo motivador.

O elemento sustentador para o fluir é determinado quando a atividade a ser feita é vivenciada como tendo um fim em si mesma. Além disso, independentemente de suas razões, esta mesma atividade absorve a pessoa e torna-se intrinsecamente (ou inconscientemente) gratificante. Segundo Csikszentmihalyi, em todas as situações em que a pessoa flui sua atenção está livremente investida para alcançar as metas pessoais. O fluir é antes de tudo, uma experiência autotélica.

A palavra autotélica – adotada por Csikszentmihalyi, originou-se da união de duas palavras gregas; auto que significa por (ou de) si mesmo, e telos que significa finalidade. Daí a ideia de que uma experiência autotélica refere-se a uma atividade autossuficiente, envolvente, realizada sem a expectativa de algum benefício futuro, mas simplesmente porque realizá-la é a própria recompensa.

Para Csikszentmihalyi a experiência autotélica, ou o fluir, eleva o curso da vida a um nível diferente. A alienação dá lugar ao envolvimento, a satisfação substitui o tédio, a impotência se transforma em percepção de controle, e a energia psíquica atua para reforçar a sensação do self, em vez de se perder atendendo a objetivos exteriores. Quando a experiência é intrinsecamente gratificante, a vida se justifica no presente, em vez de ser mantida como refém de um hipotético futuro.

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O flow-feeling é uma experiência espontânea e que tanto no esporte, como também em qualquer outra atividade, é facilitada quando a mesma é bem estruturada, aqui se trata tanto da estrutura física quanto da forma de execução.

Por exemplo, um treino de futebol em um campo de grama em alto padrão e com desenvolvimento de atividades planejadas e realizadas em alto nível, pode-se dizer que é um treino bem estruturado.

Além disso, é fundamental que a habilidade psicofísica da pessoa seja compatível com a exigência da tarefa. Em resumo quando a estrutura e a habilidade da pessoa são compatíveis para um desenvolvimento complexo e sofisticado de determinada atividade, há um favorecimento para uma vivência de fluidez.

Com esse texto introdutório nós nos preparamos para uma melhor compreensão deste fenômeno no próximo texto.
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1 Self:  Nas  palavras de Csikszentmihalyi  é  o  elemento mais importante  da consciência,  representa simbolicamente todos os outros conteúdos, bem como o padrão de suas inter-relações. É a entidade que decide o que fazer com a energia psíquica gerada pelo sistema nervoso.




TAGS :

    flow, feeling, fluxo, fluir, teoria

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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