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Bullying pode acelerar química cerebral

Edson Toledo 06/02/2018 PSICOLOGIA
Bullying pode acelerar química cerebral
Fonte: imagem Pixabay
O que não se sabe ainda é por quanto tempo duram os efeitos do bullying no cérebro

por Edson Toledo  

O termo Bullying vem do inglês bully (que significa valentão, brigão).

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Podemos definir o bullying como toda e qualquer atitude agressiva intencional e repetida, que ocorre sem motivação evidente, adotadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), sendo realizada dentro de uma relação desigual de poder.

O problema é algo tão sério que pode influenciar permanentemente a saúde mental e física de quem sofre vítima desse mal.

De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, o bullying envolveu cerca de 30% dos estudantes adolescentes, ou seja, um em cada cinco jovens no país.

O preocupante é que os estudos apontam que alterações graves no funcionamento da mente podem influenciar o bom desenvolvimento de crianças e adolescentes.

O indivíduo que sofre bullying pode desenvolver baixa autoestima, o que pode levá-lo a limitar-se em situações em que precisa enfrentar as dificuldades que a vida lhe apresenta.

Com isso pode apresentar o comportamento de fuga de situações que lhe apresente a necessidade de superação, de enfrentamento, que é fundamental para a criança superar seus próprios limites.

As implicações do bullying no cérebro da vítima são tão graves que foram parar nas pesquisas científicas. Em 2011, pesquisadores da Universidade de Rockefeller,  Estados Unidos, descobriram que a ação persistente do bullying pode ter efeitos não apenas na autoestima, mas também na composição química do cérebro de quem sofre a agressão.

O experimento se deu com ratos em um cenário que simulou um pátio escolar, onde um pequeno rato era colocado em uma pequena jaula com diversos ratos maiores e mais velhos, que iam sendo substituídos a cada dez dias.

Como os ratos são animais territoriais, a cada nova chegada, havia uma briga (que era sempre perdida pelo novo ocupante da jaula). Após a briga, os pesquisadores separavam os animais com uma grade, porém, a grade permitia que o animal perdedor ainda visse, ouvisse e sentisse o cheiro dos outros, criando uma experiência de estresse no novo ocupante da jaula - o rato perdedor.

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Após um dia de descanso, o rato perdedor era colocado na presença de um rato não ameaçador, quando era observado que ele se mostrava mais relutante em interagir. Além disso, os ratos que passaram por esse processo, desenvolveram uma tendência a paralisar por um período de tempo mais longo e frequentemente demonstraram estar avaliando riscos em relação aos colegas de jaula.

O que podemos aprender com o experimento com os ratos?

Após todo o processo, os cientistas analisaram o cérebro dos ratos que sofreram bullying, particularmente a parte do meio do córtex pré-frontal, associado ao comportamento social e emocional. Os resultados mostraram que as vítimas desenvolveram, além de nervosismo pouco comum em novas companhias, uma maior sensibilidade à vasopressina, um hormônio ligado a uma variedade de comportamentos sociais.

A partir desse dado, os cientistas concluíram que o estresse social crônico afeta o sistema neuroendócrino, importante nos comportamentos sociais. Uma vez sofridas mudanças nos componentes desse sistema, podem surgir fobias, depressão e esquizofrenia em longo prazo. O que não se sabe ainda é por quanto tempo duram os efeitos do bullying no cérebro.

Outros estudos apontam também a maior concentração de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, em vítimas de bullying. Tal alteração pode enfraquecer o sistema imunológico e até diminuir as células nervosas do hipocampo, região do cérebro responsável por diversas funções no organismo, como a memória.

Por fim, vejamos alguns sinais aos quais os pais ou cuidadores devem ficar atentos nas crianças e adolescentes: hematomas, machucados e arranhões sem explicação convincente; roupas rasgadas e materiais escolares estragados de um dia para o outro; medo de ir à escola; queda no rendimento escolar; ter pouco ou nenhum amigos na escola; mostrar-se triste, solitário, choroso, estressado e com insônia.

Muito além de ações físicas violentas, apelidos, ameaças e gestos, qualquer manifestação que gere mal-estar à vítima pode ser definida como bullying. Então fica o alerta, o problema é algo sério e pode influenciar permanentemente a saúde mental e física de quem sofre com esse mal.




TAGS :

    bullying, cyberbullying, cérebro, autoestima, escola

Edson Toledo

Coordenador do serviço de atendimento a pacientes com tricotilomania no PRO-AMITI/IPq FMUSP. Supervisor clínico na UNIP. Psicólogo pela Universidade Metodista. Mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo Ambulim/IPq FMUSP. Especialização em Psicologia Hospitalar pela UNISA



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