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Sou obrigado a ficar exposto à fumaça de maconha e crack. O que faço?

Danilo Baltieri 21/03/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Sou obrigado a ficar exposto à fumaça de maconha e crack. O que faço?
Fonte: imagem Pixabay
Exposição às drogas ilícitas pode ocorrer de formas diversas

Por Danilo Baltieri

Depoimento de um leitor:

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"Sou agente penitenciário e nos meus turnos de trabalho fico exposto ao cheiro de maconha e crack que os internos fumam o dia inteiro no pátio do presídio e escondidos dentro das celas. A distância mínima entre mim e a fumaça é de no mínimo 5/6 metros. A fumaça e o cheiro dessa maconha podem me fazer algum mal ou constar em algum exame toxicológico?"

Resposta: Realmente, a possibilidade da absorção dessas substâncias após inalação passiva é de considerável interesse tanto na área Médica quanto na Jurídica. A exposição ocupacional a essas drogas é de interesse para toda a população, especialmente para a mais vulnerável. Certamente, a exposição às drogas ilícitas pode ocorrer de formas diversas. Inalação da fumaça, do vapor, do ar expirado mais possivelmente ocorrem quando alguém está muito próximo ao usuário. Outras formas de exposição passiva existem, tais como absorção pela pele (em manuseios), ingestão oral acidental, troca de fluidos corporais, inalação de pó.

Quando a pedra de crack é queimada, uma porção da droga é expulsa para o ambiente, e, quando fumada, uma outra porção é expulsa do pulmão do usuário, tornando possível o consumo passivo da droga. Da mesma forma, isso ocorre com a maconha. Alguns estudos têm mostrado que até cerca de 37% do THC (Tetra-Hidro-Canabinol) do cigarro fumado pode ser expelido para o ambiente.

É fato que apenas pequenas somas das drogas podem ser absorvidas pelos indivíduos próximos ao usuário. Os estudos demonstram que, geralmente, mesmo que durante exposições prolongadas, os efeitos farmacológicos não são significativos. Apesar disso, concentrações das drogas podem ser verificadas em espécimes corporais do indivíduo passivo.

Notadamente, é uma possibilidade real. No entanto, esse fato não é matemático. A absorção pelo indivíduo passivo a ponto de levar a uma testagem positiva dependerá da dose consumida pelo usuário, do ambiente (se ambiente fechado, maior será essa possibilidade), do tempo de exposição, da capacidade de metabolização do indivíduo passivo.

A prolongada exposição de um indivíduo à cocaína atmosférica em altas concentrações pode produzir uma testagem positiva para a droga. No entanto, os fatores citados anteriormente devem ser levados em consideração.

Existem vários relatos na literatura sobre crianças expostas passivamente ao crack e à maconha fumados pelos seus pais, e, consequentemente, apontando os prejuízos evidentes aos infantes. Logo, deve-se evitar o consumo passivo e, obviamente, o ativo.

Preocupa-me a sua pergunta. Sentenciados deveriam estar em um processo de reeducação. O consumo de substâncias psicoativas pelos apenados destrói o conceito de reinserção social.

De qualquer forma, a sua pergunta é bastante pertinente. Um exame qualitativo da presença ou não de algumas substâncias não é certeza do consumo propriamente dito.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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TAGS :

    exposição, exposto, fumaça, crack, maconha, saúde, consequências

Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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