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É comum confundir liderança com posição hierárquica e experiência de vida

Roberto Shinyashiki 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O líder cria nas pessoas o desejo de serem influenciadas por ele

por Roberto Shinyashiki

Todo mundo quer ser líder. Todo mundo quer influenciar os outros. Todo mundo chega numa empresa e quer colocar a sua visão de administrador, a sua visão de como tudo deve funcionar.

Na família, quando o filho adolescente começa a namorar, a mãe e o pai tentam interferir, dar seus palpites sobre a relação. Com o casal, acontece a mesma coisa: o tempo todo um quer influir na maneira como o outro deve lidar com a família ou com a carreira. Confundir liderança com posição hierárquica, idade ou experiência de vida é uma prática corriqueira.

Grande parte das pessoas acredita que apenas por ser chefe, pai, mãe ou irmão mais velho vai conseguir influenciar o outro. Há uma boa diferença entre querer influenciar alguém e conseguir realizar a ação de fato.

A pergunta mais importante que você deve se fazer é:

- Será que essa pessoa está interessada em ser influenciada por mim?

- Será que essa pessoa quer conhecer a minha opinião?

Infelizmente, a maior parte das pessoas parte do pressuposto de que somente sua experiência de vida ou posição bastam para que alguém seja influenciado por ela.

É comum muitas pessoas acharem que liderança é simplesmente mandar ou falar mesmo quando os outros não querem escutá-lo. O verdadeiro líder, pelo contrário, é procurado porque as pessoas gostam de conhecer as suas opiniões. Talvez, essa seja uma das melhores maneiras de reconhecer um líder: alguém com quem as pessoas estão sempre querendo conversar, porque percebem que crescem depois da conversa e estão mais capacitadas para lutar pelos seus sonhos.

Um pai ou uma mãe que não são respeitados pelos filhos, não serão seus líderes. Podem gritar, vociferar e isso de nada adiantará.

O pai que quer ajudar o filho a amar melhor ou a crescer na carreira, por exemplo, muitas vezes não percebe que o filho o vê decadente, sem brilho e sente que a experiência do pai não o interessa. Outras vezes, um funcionário olha o gerente e pensa: "Bom, eu vou seguir o conselho dele, porque senão sou mandado embora". Porém, na verdade, o funcionário não quer ser influenciado, simplesmente acredita que deve obedecer.

Um empresário que ameaça os funcionários de demissão para atingir seus objetivos, também não vai conseguir resultados. É triste ver a maioria dos gerentes conseguindo a colaboração da sua equipe através de ameaças permanentes. Não se dão conta de que os melhores profissionais acabam saindo assim que podem, muitas vezes engrossando as fileiras da concorrência.

Na escola, também não é diferente. A maioria dos professores não cria nos alunos a vontade de serem influenciados por eles. Os alunos ficam em silêncio, não por que estão interessados em aprender, mas por que têm medo de serem postos para fora da classe.

Um líder cria o desejo de ser escutado. As pessoas querem estar com ele, saber sua opinião para basear nela suas ideias e ações.

Da próxima vez que você for dar uma opinião, pergunte-se primeiro: essa pessoa está interessada em conhecer o que penso? E se não estiver, o que devo fazer para que ela se interesse pelas minhas opiniões?

O líder nato é capaz de ajudar as pessoas a entender o lugar onde elas se encontram, a compreender o que fizeram para chegar até ali e a descobrir meios para realizar seus sonhos.




Roberto Shinyashiki

É médico psiquiatra, com especialização em Administração de Empresas (MBA USP), é consultor organizacional, palestrante e autor de 12 títulos, entre eles o lançamento “Tudo ou Nada”, “Heróis de Verdade”, “Amar pode dar certo”, “O sucesso é ser feliz” e “A carícia essencial”. Mais informações: www.shinyashiki.com.br



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