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Você pode influenciar cada pessoa que cruza seu caminho

Patricia Gebrim 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não se preocupe em mudar o mundo, mude a si mesmo

por Patricia Gebrim

Muitas vezes nos sentimos descontentes quando olhamos ao redor. Muitas vezes o mundo parece um lugar difícil de se viver, cinza, cheio de sombras e arestas... quantas vezes não gostaríamos de gritar: Pare o mundo que eu quero descer!!?

Será que podemos fazer algo a respeito ou somos prisioneiros desse estado de coisas, condenados a acatar o que quer que a nossa realidade nos imponha? Será que temos algum poder de interferir ou somos meros protagonistas de uma peça que não foi escrita por nós?

Hoje, enquanto vinha para o consultório, percorrendo as tão conhecidas ruas e avenidas, fui tomada por uma forte sensação de estranhamento. Na verdade tudo estava igual. Era o mesmo caminho ... as mesmas ruas ... no entanto, parecia tudo tão diferente... Eu olhava de maneira diferente ... as cores pareciam mais vivas, as ruas mais amigáveis, as pessoas mais interessantes. A fechada que levei daquele carro não despertou a usual raiva. Eu estava sentindo uma calma que parecia vir de outro mundo.

Pensei: O que estará acontecendo comigo??? Será que enlouqueci?

É isso o que acontece quando, por algum motivo, nem que por breves instantes, nos diferenciamos do nosso estado usual: nos sentimos um pouco malucos. Porque o “normal” hoje em dia é achar tudo cinza, é sentir irritação... ou cansaço... ou tristeza... é nem mesmo enxergar as pessoas em nosso caminho, a não ser quando nos fecham no trânsito!

Assim, quando nos sentimos vivos, tranqüilos, cheios de alegria e nosso coração é tomado por um surpreendente carinho por um desconhecido, acabamos achando que existe algo de errado conosco.

Cheguei no consultório e a recepcionista me olhou assustada... titubeou, mas acabou falando:

- Doutora ... (já insisti muito para que não me chamasse assim, mas fui incapaz de convencê-la) ... está tudo bem com a senhora?

- Estou ótima, por quê?

- É que a senhora está...

- O quê? _ insisti, achando estranha a sua reação.

- A senhora está ... azul turquesa!!!

Corri para um espelho e constatei. Eu estava azul turquesa, juro! Azulzinha!!!! Os cabelos estavam azuis, as bochechas estavam azuis, a boca o pescoço estavam azuis... eu estava azul turquesa como aquele gênio da lâmpada do desenho animado, e agora???

Meu primeiro impulso foi fugir, me esconder talvez.

E AGOOORAAAAA????

Todos veriam o meu azulado estado, por mais que eu tentasse escondê-lo. O que eu poderia fazer?

Corri para o banheiro e tentei lavar aquela cor, o que foi totalmente ineficaz. Esfreguei e esfreguei, e o máximo que consegui foi transformar o azul em uma espécie de roxo, mistura do azul com o vermelho de atrito que causei em minha pele.

Um dia de trabalho esperava por mim, o que fazer?

O QUE FAZER?

Respirei fundo, meditei e decidi não fazer nada.

Vou assumir minha nova cor e pronto!

Chegou a primeira paciente. Ela levou um susto ao olhar para mim. Ficou claro seu dilema, era como se eu pudesse escutar seus pensamentos enquanto ela perguntava a si mesma se estaria tendo alguma alucinação. Após alguns minutos toquei no assunto para aliviá-la, disse que eu não sabia o que tinha acontecido comigo, mas que se ela não se importasse poderíamos realizar nosso trabalho mesmo assim. Ela concordou e eu vi que fez certo esforço para não soltar uma gargalhada!

Mas uma coisa estranha foi acontecendo no decorrer da sessão... uns fiozinhos de cabelo dela foram mudando de cor, e depois um ponto lá no centro da testa... e no final de tudo ela estava verde esmeralda. Verdinha!!!!

E agora??? Será que aquilo era contagioso?

Para resumir a estória preciso lhes dizer que foi assim o dia todo. Cada pessoa que chegava saía de lá com uma cor diferente. Mas não era só isso... olhando pela janela vi uma dessas pessoas, uma linda garota que tinha saído maravilhosamente pink, encontrando com o namorado, bem na porta do consultório. E ao encontrar-se com ela, ele ficou amarelo ouro... e quando olhei ao redor tinha gente colorida por toda parte.

Bem, preciso lhes dizer que inventei tudo isso para convidar você a pensar no quanto você influencia cada pessoa que cruza seu caminho. Pense em como você está neste momento... qual é a sua cor? E pense que de alguma forma você transformará cada pessoa com a qual se encontrar, bem como será transformado por ela.

Se você quer viver em um mundo melhor, assuma a sua parte, não se preocupe em mudar o mundo. Mude a si mesmo. Torne-se uma colorida fonte de alegria, de verdade, de paz, de carinho, de generosidade. Torne-se quem você verdadeiramente é.

Nenhum de nós é uma massa cinza feia e sem graça. Todos possuímos algo único para trocar com o mundo, uma cor, um brilho, um sorriso, um carinho ... faça a sua parte e o mundo se tornará, aos poucos, mais colorido.




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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