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Consumismo fomenta liquidez no relacionamento amoroso

Tatiana Ades 01/01/2016 PSICOLOGIA
O amor está se tornando uma mercadoria?

por Tatiana Ades

Gosto sempre de refletir sobre os pensamentos do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925), onde se faz presente o questionamento sobre nossa sociedade atual, tão rápida, veloz, consumista e preocupante.

Por que preocupante?

Não seria a tecnologia e a liberdade sexual algo excitante e fantástico?

Não estaríamos vivenciando uma era de conforto e inovação de aparelhos e pensamentos?

Isso pode ser visto de forma boa, mas é preciso tomar cuidado ao enxergar tal sociedade moderna de forma tão encantadora.

Devemos refletir sobre como ela acaba nos atrapalhando em diversos setores de nossa vida profissional, emocional e amorosa.

Pessoas assistem televisão e acreditam ser correto, bom e imprescindível tudo o que é transmitido. É "dito" que para termos uma autoestima elevada e sermos cidadãos bem posicionados, devemos possuir tal carro, ter aquela casa, aquele corpo, aquela forma de pensar...

No dia seguinte, ao ligarmos a televisão novamente, nos deparamos com outro carro melhor do que o anterior, outra casa ainda mais moderna, um corpo esculpido para o nosso êxtase e perfeição, uma rapidez de modificações que, se não seguirmos, seremos esmagados.

Os amores, assim como os bens de consumo, estão se transformando em liquidez, em mercadoria. Afinal, se posso ter alguém “melhor” amanhã, por que persistir no meu relacionamento?

Por que devo prosseguir com alguém, se tenho opções de pessoas, como se estivessem todas numa vitrine expostas para que eu escolha?

Assim como Bauman, acredito que estamos perdendo o valor, o respeito pela humanidade e por nós mesmos ao entrarmos de cabeça numa sociedade que nos cita regras consumistas e amores desestruturados, onde nada se cultiva. Não há tempo e esforço para estar com alguém, não há conquista e perseverança, não há estímulos, não há o verdadeiro e real amor.

Estamos trocando de roupas, acessórios, tecnologia e pessoas em nossas vidas.

Deixo esse questionamento em aberto:

Esse excesso de informação traz coisas positivas?

Em quais pontos nos transformam em pessoas mais sofredoras e carentes?




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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