DESTAQUES

Solidão a dois é queixa mais comum em terapia de casal

Karina Simões 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Karina Simões

"... respeito, admiração e cumplicidade não podem faltar numa relação. Quando não se encontra mais esse tripé de valores, a união a dois passa a ser uma solidão a dois" A solidão a dois, onde reina a indiferença e a ausência de diálogo entre o casal, é umas das queixas mais comuns em terapia de casal.

E me pergunto: Por que os casais deixam para procurar ajuda quando já se encontram numa situação tão grave?

Chegam ao meu consultório quando a relação já está na “UTI”, ou seja, quando já está num ponto, muitas vezes, irreversível e um abismo entre eles já se instalou.

Vou listar e explicar aqui os cinco fatores que podem destruir o amor na vida a dois:   

1º) Diferença de papéis sociais e crise conjugal 

As diferenças dos papéis que ambos assumem e desempenham no decorrer da união podem afetar de forma significativa a relação. Ambos se tornam companheiros (cuidadores) e se esquecem do papel de homem e mulher.

A mulher assumiu o mercado de trabalho, reconstruiu muitos dos seus valores e crenças, e trouxe isso para dentro da relação. Se o casal não estiver preparado para lidar com essa questão, pode surgir uma crise conjugal.

Essa crise pode acabar afetando a vida sexual. Assim, um momento que deveria ser de extrema intimidade e cumplicidade a dois, passa a ser de obrigatoriedade e distancia afetivamente o casal. A sexualidade deve ser vivida a dois com afetividade e vontade.

2º) Ciúme

O ciúme e a relação regada pela possessividade constituem fatores agravantes e degradantes numa vivência a dois. O amor requer liberdade para ser vivido de forma plena. Quando a relação é baseada na insegurança, o amor se autodestrói ou não se sustenta por muito tempo.

3º) Disputa

Disputar com o parceiro, como por exemplo, quem tem razão numa discussão, nunca é saudável para o relacionamento. Se isso estiver ocorrendo, tente desfazer esse jogo.

4º) Diferenças de objetivos

Crenças, valores, sonhos e objetivos diferentes dificultam o sucesso e a harmonia do casal. Avaliar com precisão e discernimento se a relação se encontra assim, com interferências constantes de opiniões e ideias, é um dos caminhos para se procurar reestruturar a vida a dois.

5º) Falta de respeito, admiração e cumplicidade 

Mas, definitivamente, respeito, admiração e cumplicidade não podem faltar numa relação. Quando não se encontra mais esse tripé de valores, a união a dois passa a ser uma solidão a dois. E assim o amor não resiste.
 
Por que estou com ele (a)?

Questionar-se sobre o que move a escolha de se continuar junto de alguém, é essencial para se chegar a um consenso.

Amor? Sexo? Necessidade? Carência? Comodismo? Companheirismo? Parceria? O que mantém sua relação?

Reflita muito sobre as motivações que os levam a tentar ser um casal e avalie acima de tudo se é uma escolha saudável. Não há necessidade de esticar o elástico até arrebentar.

Por mais sofrida que seja desistir de uma relação, devemos sempre lembrar que a lealdade e o cuidado devem ser maiores conosco. Apenas assim teremos mais possibilidades de construirmos escolhas felizes, promissoras e saudáveis.

 




Karina Simões

Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br



ENQUETE

Você toparia ter um relacionamento de “amizade com benefícios”? Tratam-se de amigos que se tornam parceiros sexuais sem deixar isso interferir na amizade; o termo vem da expressão 'friends with benefits'.





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.