DESTAQUES

Reconciliação após traição é comum

Karina Simões 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Karina Simões

"Perdoar só da boca para fora não traz resultados, há de se percorrer um caminho de autossuperação"

É comum ouvir em consultório o aparecimento de crises conjugais em virtude de traição seguida de reconciliação. O casal decide retomar a vida a dois depois de uma infidelidade e a companheira traída sente dificuldade de conviver e relacionar-se com o seu companheiro.

Minhas pacientes afirmam que são constantemente atormentadas com pensamentos que remontam aos possíveis atos de infidelidade.

Afinal, é possível superar uma traição?

Para a resolução desse conflito é necessário que exista um processo (ou rito) onde não seja negada a dor quando ela ainda lateja no coração de quem sente. A aceitação ocorrerá quando existir o respeito às realidades interiores com consideração às frustrações e decepções da vida. Inclusive, com o respeito da construção de uma nova imagem. Explico em seguida.

Caminhos para a autossuperação:

1º) Para perdoar, precisa ter uma razão e disposição para se chegar a esse objetivo.

2º) Entender que na possibilidade da continuidade da relação, serão duas novas pessoas, ou seja, uma nova imagem deverá ser formada do parceiro.

3º) Falar no assunto terapeuticamente, ou seja, conversar sobre o que atormenta com um psicólogo(a).

4º) Aprender a lidar com os sentimentos que surgem após a traição: tristeza, raiva e medo.

Como lidar com a tristeza?

Durante a fase de tristeza, a maior preocupação é de que a pessoa traída não perdure tanto nessa fase, a ponto de se tornar refém do sentimento podendo se estabelecer um possível quadro depressivo.

Como lidar com a raiva?

Na raiva, o mais importante a ser ressaltado é tentar compreender que o desejo de vingança que surge nessa hora, jamais compensará e muito menos ajudará a minimizar a dor. Pelo contrário, muito provavelmente a vingança e o desejo de igualar-se ao traidor, traindo também, leva muitas vezes a mulher a um processo de culpa. E assim, cria-se um círculo vicioso não saudável para ambos.

Como lidar com o medo?

O medo pode se fazer presente de várias formas. Aparece em forma de dificuldade em voltar a confiar na relação, ou também, estabelecendo um medo de ficar sozinho e não encontrar mais nenhum parceiro futuro.

Perdão

O perdão é um caminho a ser percorrido que faz transformar a dor em cicatriz. As lembranças, costumo dizer aos meus pacientes, vão continuar, mas as dores cessarão. Porque perdoar é lembrar sem doer! Cicatriz não dói mais!

Escrevi este artigo lembrando-me das mulheres que me procuram e pedem ajuda. No entanto, meus aconselhamentos valem também para o homem traído na relação.

 




Karina Simões

Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br



ENQUETE

O Jornal da Cultura veiculou matéria apontando que o brasileiro não está animado com a Copa do Mundo. E você, está empolgado?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.