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Reconstrução da autoestima ajuda a superar crises de ciúme

Arlete Gavranic 01/01/2016 PSICOLOGIA
Reconstrução da autoestima pode ajudar no fortalecimento psicoafetivo

por Arlete Gavranic

Quantas vezes ouvimos histórias de ciúme e desconfiança? Quantas músicas falam de ciúme, insegurança, do medo de ser trocado(a) por outra pessoa? Mas por que tanto ciúme e sofrimento?

De onde isso vem?

De acordo com os psicólogos Ayala Pines e Elliot Aronson, ciúme é: "A reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade".

Esse sentimento de temor em perder pode ser considerado natural, mas também é recheado de medos, que podem ser reais ou irreais, e até um medo marcado de vergonha (vaidade) em perder o amor ou a pessoa amada.

O ciúme sempre apresenta uma relação com a falta de confiança em si mesmo e/ou no outro, mas pode tornar-se patológico se for exagerado e constante na vida dessa pessoa e transformar-se em uma obsessão.

Psicologicamente podemos entender o ciúme relacionado a uma frágil autoestima e a sensação de que sempre as outras pessoas poderão ser mais bonitas, atraentes ou interessantes; o que estimularia uma postura sempre controladora por essa insegurança.

Existem muitas leituras psicológicas para entender a causa do ciúme. A explicação psicanalítica aponta tanto para um apego excessivo dos pais com a criança ainda pequena (1 ano de vida) como também como consequência do Complexo de Édipo mal resolvido que poderia resultar em inseguranças que levariam a atitudes possessivas em relação ao parceiro (a), podendo até desenvolver quadro de paranoia.

Também encontramos muito frequentemente quadros de ciúme neurótico quando a pessoa viveu situações de traição, seja familiar: filhos (as) que vivenciaram traição de pais ou vivência pessoal de ser traído(a).

A psicóloga Eliana Martins de Freitas no livro A poesia do sexo relata que: "O ciúme paranoide é o mais perigoso, pois nele não existe uma suspeita, existe a convicção, a certeza absoluta da traição, não importando se as evidências mostrem o contrário, nesse tipo de ciúme a traição não está prestes a ocorrer, ela 'já ocorreu'".

Esse ciúme paranoide pode ser estimulado após a pessoa passar por um trauma de traição, seja com o mesmo parceiro ou com parceiros diferentes. A repetição das traições e frustrações geradas por essa vivência pode fragilizar a estrutura psicoafetiva e os danos na autoconfiança dessa pessoa podem provocar dificuldades em reconstruir futuros vínculos estáveis de confiança.

Frequência de neurose por ciúme é alta após traição

Sempre me chama a atenção de como os ciumentos (as) são mal vistos pelas pessoas, como se esses tivessem "nascido doentes", o que não me parece real. O cuidado precisa ser redobrado com pessoas que já trazem em seu repertório comportamental essa autoestima frágil, que sempre se sente insegura nas relações.Mas a frequência de quadros neuróticos de ciúme após a vivência de traições é muito alta.

O ciúme em sua neurose pode dificultar relacionamentos e até destruir o relacionamento. Esse ciúme paranoide pode dar vazão a traços de personalidade mais violentos e trazer danos à vida das pessoas, criando dificuldades nas diversas áreas da vida profissional, familiar e social.

Reconstruir a autoestima

A reconstrução da autoestima pode ajudar no fortalecimento psicoafetivo e, portanto, na construção de uma autoconfiança, fundamental para minimizar comportamentos exacerbados de ciúme. Isso pode acontecer terapeuticamente em conjunto com a reconstrução de relações abaladas pelo ciúme e/ou traição, como também pode (e precisa) acontecer se a pessoa resolver seguir seu caminho solo. Caso o ciúme seja patológico, será necessário acompanhamento psiquiátrico, inclusive com o uso de medicamentos aliado ao tratamento psicoterapêutico.




Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



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